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	<title>Artigos &#8211; Nelore IRCA</title>
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	<description>O Seu Nelore Com Mais Carne</description>
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		<title>Especial Pastagens: Um caso de sucesso com pastejo contínuo sustentável, revista DBO, novembro 2008</title>
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		<dc:creator><![CDATA[jabrao]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Feb 2022 16:57:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[Por Maristela Franco Por detrás da fala mansa, que guarda forte acento pernambucano, apesar dos 32 anos vividos no interior de Goiás, esconde-se um espírito inquieto. José da Rocha Cavalcanti não gosta de ideias prontas. Tudo em sua Fazenda Providência do Vale Verde, localizada no município goiano de São Miguel do Araguaia, é diferente, apesar [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><img loading="lazy" class="size-full wp-image-405 alignleft" src="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/esppastagenscapa1.webp" alt="" width="250" height="349" srcset="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/esppastagenscapa1.webp 250w, https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/esppastagenscapa1-215x300.webp 215w" sizes="(max-width: 250px) 100vw, 250px" />Por Maristela Franco</em></p>
<p>Por detrás da fala mansa, que guarda forte acento pernambucano, apesar dos 32 anos vividos no interior de Goiás, esconde-se um espírito inquieto. José da Rocha Cavalcanti não gosta de ideias prontas. Tudo em sua Fazenda Providência do Vale Verde, localizada no município goiano de São Miguel do Araguaia, é diferente, apesar de a propriedade, à primeira vista, assemelhar-se a tantas outras da região.</p>
<p>Cavalcanti acredita no pastejo contínuo, quando muitos técnicos associam esse método com baixa produtividade e pouco lucro. Também defende a divisão do rebanho em lotes pequenos para preservar o bem-estar dos animais. Não desmama os bezerros, processa seu próprio sal mineral e nunca usou um litro de herbicida.</p>
<p>Na varanda da sede da fazenda, ele explana suas idéias calmamente, em meio ao calor modorrento de 38 graus à sombra, típico dos cerrados goianos no auge da seca.</p>
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<div id="attachment_406" style="width: 556px" class="wp-caption aligncenter"><img aria-describedby="caption-attachment-406" loading="lazy" class=" wp-image-406" src="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vacas-no-pasto.webp" alt="" width="546" height="311" /><p id="caption-attachment-406" class="wp-caption-text">No pastejo contínuo, Cavalcanti privilegia o desempenho individual dos animais.</p></div>
<p><em>“Muita gente vê o pastejo rotacionado como uma panacéia, sem considerar os riscos inerentes a esse modelo, que exige maiores investimentos em infra-estrutura, além de ser dependente de adubos, cujos preços dobraram entre 2007 e 2008. Aqui – aponta as pastagens desidratadas pelo sol –, eu tiro carne de pedra. Faço isso, sem aumentar a lotação e os custos, mas favorecendo o desempenho dos animais, que chegam a ganhar 1,4 kg/cab/dia nas águas, exclusivamente a pasto”</em>, diz o pecuarista de 55 anos, agrônomo, natural de Recife, que, apesar das dificuldades, produz anualmente 5.340@ líquidas em801 hectares de pastagens, ou 6,65@/ha, contra 4@ da média nacional.</p>
<p><em>“Os adeptos do rotacionado pensam apenas em produtividade de massa forrageira e altas lotações. Com isso, criam uma imagem de eficiência. Eu pergunto, porém, o que é mais vantajoso: produzir 10.000@ gastando 9.000@ ou produzir 5.000@ gastando 3.000@?”</em>, indaga Cavalcanti.</p>
<p><em>“Não busco maior produção de carne/ha e sim maior lucratividade/ha, dentro da minha realidade. Eis o ‘x’ da questão, freqüentemente menosprezado pelos defensores do atual modelo de intensificação pecuária”</em>, ressalta o produtor.</p>
<p>Segundo ele, o rotacionado tem seus méritos, mas não deve ser visto como única alternativa de manejo de pastagens, muito menos utilizado de forma indiscriminada, sem avaliação econômica. <em>“Para minhas condições edafoclimáticas e meu sistema de produção, baseado na cria/recria/engorda, o pastejo contínuo com carga animal variável é a melhor opção”</em>, afirma Cavalcanti.</p>
<p><img loading="lazy" class="size-full wp-image-407 alignleft" src="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/mapa-fazenda-providencia-nelore-irca.webp" alt="" width="499" height="262" srcset="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/mapa-fazenda-providencia-nelore-irca.webp 499w, https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/mapa-fazenda-providencia-nelore-irca-300x158.webp 300w" sizes="(max-width: 499px) 100vw, 499px" /></p>
<p><strong>DESAFIO</strong></p>
<p>A Fazenda Providência do Vale Verde tem 1.100 ha e está encravada no Vale do Araguaia, próxima à Ilha do Bananal, na divisa de Goiás com Tocantins e Mato Grosso. Essa região tem índice pluviométrico de 1.600 mm/ano, mas as chuvas se concentram entre 15 de outubro e 15 demarço. Além disso, as temperaturas são elevadas (30 a 38°C) e a altitude, baixa (200-300 m), fator pouco favorável ao plantio de culturas graníferas como o milho.</p>
<p><em>“Em 1976, quando meu pai, Carlos da Rocha Cavalcanti, decidiu vender as terras que possuía no Nordeste e buscar novas fronteiras, deixou-me escolher o lugar onde iniciaria minha vida de pecuarista, já que eu havia acabado de me formar em agronomia, pela Universidade Federal de Viçosa (MG). Fui ao Pará, ao Mato Grosso, mas simpatizei com São Miguel do Araguaia, justamente pela aptidão pastoril de suas terras”.</em></p>
<p>Após a morte do pai, coube-lhe por sorteio uma gleba tipicamente de cerrado, com solos muito ácidos (pH de 4,2) e pouco férteis. “Ao examinar análises de meus solos, um técnico me perguntou, brincando, se neles nascia alguma planta”, conta o agrônomo, explicando que, para corrigir esse perfil químico é preciso gastar muito dinheiro.</p>
<p>Como a fazenda tem 800 hectares de pastagens e se estima que sejam necessárias 4 t/ha de calcário para correção da acidez, os gastos apenas com esse insumo, sem considerar mão-de-obra e combustível, seriam de R$ 243.200, com a tonelada a R$ 76. Já a despesa com adubos ultrapassaria R$ 472.800.</p>
<p>Esses valores somados equivalem a quase 500 bois gordos. A propriedade fica a 525 km de Goiânia, o que torna os insumosmais caros, devido ao frete.</p>
<p>Mesmo que fizesse esses investimentos aos poucos, Cavalcanti teria de pedir empréstimo a bancos, incorporando risco a seu negócio. <em>“Quando se entra nessa roda-viva, não dá pra desistir no meio do caminho, pois é preciso honrar os compromissos; colocar mais animais no pasto, para aproveitar toda a massa forrageira produzida; confinar ou investir mais em suplementação na seca, etc.</em></p>
<p><em>É muito arriscado fazer isso numa região com regime de chuvas curto, ou seja, onde se tira menor proveito da adubação nitrogenada. A não ser que eu instale um pivô na fazenda. Mas aí já começamos a extrapolar o limite do razoável, pois sou um pecuarista de porte médio e não tenho outras fontes de renda, ao contrário dos empresários que se tornam fazendeiros da noite para o dia e decidem desembolsar milhões em projetos hipertecnificados”</em>.</p>
<div id="attachment_408" style="width: 536px" class="wp-caption aligncenter"><img aria-describedby="caption-attachment-408" loading="lazy" class=" wp-image-408" src="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/garrotes-nelore-irca.webp" alt="" width="526" height="352" /><p id="caption-attachment-408" class="wp-caption-text">Machos de 25 meses, em pasto de braquiarão, no auge da seca de 2008.</p></div>
<p><strong>RENTABILIDADE</strong></p>
<p>José Cavalcanti sabe que está indo contra a corrente; afinal, até o governo federal defende a intensificação pecuária para diminuir pressões sobre a Floresta Amazônica. Mas não liga.</p>
<p>Nem quando o chamam de romântico e idealista, em tom condescendente ou provocativo. “A intensificação quase sempre é vista de forma unilateral. Muita gente se esquece de que, ao colocarmos mais bois por hectare, poluímos ainda mais o planeta, pois a emissão de CO2 torna-se maior do que o volume captado pelas pastagens. Sem falar na contaminação do solo e fontes hídricas pelo uso intensivo de adubos e agrotóxicos.</p>
<p>Quantos quilos de carne podemos produzir por hectare de maneira sustentável, com boa lucratividade? Essa é a conta que me interessa”.</p>
<p>Até 2006, José da Rocha Cavalcanti fazia confinamento, mas em 2007 e 2008 ele preferiu vender parte dos animais na recria, pois o preço do boi magro estava compensador e os custos de arraçoamento muito elevados (veja análise econômica de seu sistema de produção em quadro à parte). Segundo ele, a fazenda precisa produzir riqueza e não dívida e estresse para o proprietário, quando este vê sua conta fechar no vermelho. “Quem tem pouca terra e depende exclusivamente da pecuária para sustentar a família, além de manter seu quadro de funcionários motivados, com carteira assinada e bons salários, precisa planejar bem suas ações. Eu estou formando meu quinto filho com esses 800 hectares”, conta orgulhoso.</p>
<p><strong>Rentabilidade de 8,6% sobre o patrimônio</strong></p>
<p>Em setembro deste ano, o rebanho de Cavalcanti somava 1.170 cabeças, das quais 55,5% eram fêmeas com mais de dois anos. Pertencente à quarta geração de selecionadores da marca Nelore Irca, que neste ano comemora 93 anos de existência, ele comercializa anualmente 60 tourinhos e 40 fêmeas registradas. Mas, ao calcular sua rentabilidade, faz questão de excluir o valor agregado pela genética às 5.340@ líquidas que produziu em 2007, para possibilitar comparações com outros projetos de pecuária de corte.</p>
<p>Na análise econômica realizada por Alexandre Mendonça de Barros, professor da Fundação Getúlio Vargas e consultor da MB Agro, essas  5.340 arrobas foram cotadas a preço de gado comercial, pela praça de Goiânia   (R$ 85/@, até 15 outubro).</p>
<p><img loading="lazy" class="size-full wp-image-409 alignleft" src="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tabela-resultado.webp" alt="" width="323" height="411" srcset="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tabela-resultado.webp 323w, https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tabela-resultado-236x300.webp 236w" sizes="(max-width: 323px) 100vw, 323px" />“Chegamos a um faturamento anual de R$ 440.706, ou seja, R$ 550/ha. Como o custo operacional foi de R$ 303.080, o pecuarista obteve receita líquida operacional de R$ 137.626 (retorno de 31,2%). Considerando-se o valor da terra na região de São Miguel do Araguaia (R$ 2.000/ha), a rentabilidade sobre o patrimônio foi de 8,6%.</p>
<p>Para uma propriedade de porte médio, que faz ciclo completo e conta com baixíssimo estoque inicial de recursos, esse é um resultado muito bom”, diz o economista.</p>
<p>Segundo o anuário Anualpec, da Consultoria AgraFNP, em 2007 as fazendas de porte semelhante (500 a 800 UA), que se dedicavam à cria/recria/engorda extensiva (no caso, pastejo contínuo tradicional, sem carga variável), registraram receita líquida operacional de 25% e rentabilidade sobre o patrimônio de 1,3%. Já naquelas que faziam ciclo completo intensivo, esses índices foram de  -22%  e  0,9%, respectivamente.</p>
<p>Mendonça de Barros enfatiza que um sistema de produção deve ser entendido a partir de suas restrições, como baixa disponibilidade de capital, meio ambiente adverso etc. “Frequentemente se afirma que, se não forem realizados investimentos e utilizados insumos na atividade pecuária, ela tenderá a desaparecer por sua baixa eficiência. Essas afirmações padecem de sentido econômico. Não é correto fazer generalizações sobre sistemas de produção. Sua eficiência deve ser avaliada a partir das restrições de capital de cada propriedade. Nesse sentido, a Fazenda Providência do Vale Verde é um exemplo de pecuária eficiente no Brasil”.</p>
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<p><strong>Carga animal variável, ajustada à forragem</strong></p>
<div id="attachment_412" style="width: 232px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/dsc_0073.webp"><img aria-describedby="caption-attachment-412" loading="lazy" class=" wp-image-412" src="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/dsc_0073-199x300.webp" alt="" width="222" height="337" /></a><p id="caption-attachment-412" class="wp-caption-text">As primíparas recebem cuidados especiais, para que voltem a emprenhar logo.</p></div>
<p>O método de pastejo contínuo tem sido utilizado há gerações e ainda predomina em 90% das fazendas de gado de corte do País. Mas a maioria de seus adeptos faz manejo extensivo, ou seja, não ajusta a carga animal à forragem disponível nos pastos, em geral enormes, levando-os à degradação. José da Rocha Cavalcanti não faz parte desse clube. Ele dividiu seus 801 hectares de pastagens em piquetes relativamente pequenos (veja descrição do Método Irca na página seguinte). Além disso, criou um esquema de monitoramento das pastagens, com base em notas ou escores, que lhe permite verificar se a lotação está adequada ou não à oferta de forragem.</p>
<p>Cavalcanti faz pastejo contínuo com carga variável, método que o professor Sila Carneiro Filho, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, considera tão bom quanto o rotacionado, quando bem-feito. “Se o produtor ajusta a lotação à oferta de forragem; se não deixa a gramínea passar do ponto nas águas, por falta de animais para consumi-la; se intuitivamente respeita as necessidades da planta, quando chove abaixo do esperado; se não castiga o capim no inverno, colocando na área mais gado do que ele suporta, o pastejo contínuo dá resultado positivo e pode sustentar boas lotações”, afiança.</p>
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<blockquote><p><strong>Equívocos comuns, segundo o Prof. Sila Carneiro Filho da ESALQ: </strong></p>
<p>1º) Uso do termo “sistema” para definir modalidades de pastejo.<br />
Segundo o professor Sila, sistema é um conjunto de fatores (clima, solo, plantas, animais, infra-estrutura, insumos etc.) organizados para a produção. O termo correto é método de pastejo ou, para ser mais preciso, método de colheita de forragem.</p>
<p>2º) Uso do termo “pastejo contínuo” sem considerar que…<br />
Não existe colheita contínua de forragem por parte dos animais, o que existe é presença contínua desses animais na área. Um perfilho (unidade básica de crescimento da planta) somente é visitado a cada 30 dias nesse método de pastejo, devido à menor lotação por hectare.</p>
<p>3º) Confusão de “pastejo contínuo” com extensivismo.<br />
A maioria dos pecuaristas pensa que fazer pastejo contínuo é colocar um grupo de animais numa área e largá-los lá, sem monitoramento, sem meta nenhuma. Isso, na verdade, é ausência de método, diz Sila, é puro extrativismo dos recursos naturais disponíveis.</p></blockquote>
<p>É verdade que o risco de errar é menor no rotacionado, afirma o professor. “Se o pecuarista tem 30 piquetes e usa um deles a cada dois dias, estará concentrando os animais em um/trinta avos da fazenda. Caso cometa algum erro de manejo, ele poderá corrigi-lo no dia seguinte, evitando danos ao restante da área. No rotacionado, as mudanças são mais bruscas, mais visíveis. Em um/dois dias, o capim passa, digamos, de 1 metro de altura para 30 cm. Já no pastejo contínuo, é preciso ter um olho muito bom, pois as mudanças na pastagem são sutis e todos os piquetes ficam ocupados ao mesmo tempo, todo o tempo, exigindo maior atenção do manejador”, diz Sila.</p>
<p><strong>OLHO DE ÁGUIA</strong></p>
<p>Na Fazenda Providência do Vale Verde, o olho que enxerga essas mudanças sutis é o do capataz Donizete dos Reis. Ele percorre a propriedade, observando os pastos e lhes conferindo notas de 1 a 9. O pasto considerado ideal é o de nota 5, que apresenta a maior quantidade de folhas disponíveis para alimentação dos animais. As piores são as de notas 1 (rapado) e 9 (passado). As demais são intermediárias: quanto mais próximas de 5, melhores; quanto mais próximas dos extremos, piores.</p>
<p>Hoje, o olho de Donizete está tão treinado que ele dá notas partidas: 4,5; 7,5 etc. O fato de os piquetes serem relativamente pequenos ajuda nessa avaliação. A freqüência do monitoramento varia de acordo com a estação do ano. Na época de maior crescimento das gramíneas, realiza-se uma inspeção a cada 10-20 dias; na seca, a cada 40 dias. Se o clima se comporta de forma diferente do previsto, encurta-se o intervalo de tempo entre as “leituras”.</p>
<p>Além do pasto, os bovinos também têm seu escore corporal avaliado por meio de notas. Um animal magro recebe nota 1 e um gordo, nota 5. “Criamos também uma forma de pontuar a média dos lotes, com registros de possíveis variações. Por exemplo: se o lote tem nota 3, mas nele encontram-se vacas de escore 5 (muito gordas), nós registramos na planilha 3/5”, explica José Cavalcanti.</p>
<p>Esse sistema de dupla avaliação é fundamental para o bom manejo dos piquetes, que são formados principalmente com andropógon (69% da área de pastagem) e braquiarão (17,85%), com alguns pequenos módulos de tanzânia, mombaça, massai e quicuio. “Desenvolvemos um conhecimento instintivo do comportamento desses capins. Claro que é possível estimar a massa forrageira disponível no pasto com ajuda de instrumentos, como o quadrado ou o disco medidor australiano, mas preferimos trabalhar com parâmetros visuais, que facilitam a tomada de decisões. Se um pasto e seu lote recebem notas baixas, é porque a carga está alta, exigindo medidas corretivas, como a substituição dos animais por outros mais leves. Se ambos (pasto e lote) obtêm boas pontuações, é porque acertamos no manejo”, diz o pecuarista.</p>
<p><strong>Prescrição padronizada de manejo evita confusões</strong></p>
<p><a href="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/metodo-pastejo-irca.webp"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-413 alignleft" src="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/metodo-pastejo-irca.webp" alt="" width="353" height="136" srcset="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/metodo-pastejo-irca.webp 353w, https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/metodo-pastejo-irca-300x116.webp 300w" sizes="(max-width: 353px) 100vw, 353px" /></a>*Método descrito com base nas regras estabelecidas pela Society for Range Managment. Os traços e os dois pontos não têm conotação matemática, apenas servem para separar os números.</p>
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<p><a href="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/metodo-pastejo-convencional.webp"><img loading="lazy" class="size-full wp-image-415 alignleft" src="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/metodo-pastejo-convencional.webp" alt="" width="349" height="132" srcset="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/metodo-pastejo-convencional.webp 349w, https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/metodo-pastejo-convencional-300x113.webp 300w" sizes="(max-width: 349px) 100vw, 349px" /></a>Devido às diversidades edafoclimáticas e à complexidade dos sistemas de produção no mundo, existe tamanha quantidade de métodos de pastejo que a Society for Range Managment, instituição norteamericana que se dedica ao estudo da ecologia de pastagens, sugeriu que eles fossem descritos de forma padronizada, utilizando-se uma sequência numérica separada por um traço, uma vírgula e dois pontos, que neste caso não têm função aritmética<br />
(veja ilustração).</p>
<p>Dessa forma, qualquer técnico ou pecuarista poderá visualizar com facilidade os itens básicos do método de pastejo usado em determinada fazenda, evitando confusões.</p>
<p>José da Rocha Cavalcanti trabalha com 50 pastos, de 5 a 30 ha, e um lote de animais por pasto durante os 365 dias do ano, ou seja, com zero dias de descanso.</p>
<p>A divisão das pastagens em 50 piquetes não é casual. Tem a ver com o tamanho ideal do lote, que ele estipulou em no máximo 30 cabeças. Com base nesse critério, a área da pastagem pode variar de 15 ha a 25-30 ha, dependendo da fertilidade do solo, do clima local, do tipo de gramínea, etc. O importante é que o piquete tenha capacidade de suporte para pelo menos 10 anos.</p>
<p><strong>SEM CANSAÇO</strong></p>
<p>A meta de José Cavalcanti é evitar que as gramíneas recebam pontuação baixa e tenham de ser poupadas ara recuperação.</p>
<p><strong>“Meus pastos não descansam porque não cansam”</strong>, brinca ele, garantindo que o pastejo contínuo também não gera desperdício de forragem, ao contrário do que muitos pensam. O professor Sila Carneiro<br />
concorda. Segundo ele, a perda de forragem deve-se à ineficiência na colheita do capim, não ao método de pastejo.<br />
Por exemplo: se o produtor rotacionar um piquete de mombaça com período de descanso fixo de 30-35 dias, colherá forragem velha e de baixa qualidade, como também ocorre com os adeptos da “fartura” (leia-se sobra de capim) no pastejo contínuo.</p>
<p>Sila frisa que existem muitos equívocos em manejo de pastagens. Um dos mais comuns é considerar métodos de colheita de forragem como antagônicos. Tanto o rotacionado e quanto o contínuo podem ser técnica e economicamente viáveis, dependendo do sistema de produção, da capacidade de administrar riscos e da perícia do manejador. Uma forma de errar menos, diz o professor, é guiar-se pela altura do capim. Pesquisas conduzidas pela Esalq mostraram que o braquiarão sob pastejo rotacionado, por exemplo, deve ser colhido quando a sua altura atingir 25 cm, retirando-se os animais da área assim que a altura recuar para 10-15 cm. Sob pastejo contínuo, o ideal é manter o capim sempre a 20-40 cm do solo.</p>
<p>Nos dois métodos, o uso da pastagem pode ser mais ou menos intenso. “O que importa é administrar bem os recursos disponíveis. Se o pecuarista adubar, irrigar e colher mal a forragem, desperdiçará insumos e terá prejuízo. Trabalhar com forrageiras adequadas a cada sistema também ajuda bastante. Os panicuns, por exemplo, não são indicados para pastejo contínuo, pois precisam de um período de descanso para recompor suas reservas nutricionais e respondem bem à adubação nitrogenada, por isso se constituem em boa opção para quem faz colheita rotativa de forragem com base nessa prática”, diz o professor.</p>
<p><strong>LOTAÇÃO </strong></p>
<p>José Cavalcanti não se opõe à adubação em si. Já adubou moderadamente seus pastos de tanzânia e mombaça, que utiliza para alojar categorias mais exigentes, como as primíparas. Contudo, não admite dependência excessiva de insumos. Prefere soluções mais baratas e sustentáveis. Por exemplo: nunca calcula a lotação dos pastos considerando o consumo de 100% da forragem disponível; deixa sempre um percentual de capim para incorporação ao solo, na forma de matéria orgânica. É uma maneira natural de repor parte dos nutrientes extraídos do solo. “Meu sistema de produção está inserido no conceito de sustentabilidade. Aliás, os pecuaristas precisam começar a medir, quantificar, monitorar os prejuízos que causam ao meio ambiente com suas práticas de<br />
alta produtividade”, alerta.</p>
<p>Nas águas, Cavalcanti trabalha com 1,5 a 2 UA/ha, mas a lotação cai para 1,1 UA/ha na seca, quando ele vende animais. “Sou um criador, não um invernista. Digo que tenho datas de venda e não pesos de venda, embora precise colocar o máximo possível de quilos nos animais até à chegada do período estipulado para comercialização. No ciclo completo, cada etapa de produção deve ser nota dez. Não adianta ter eficiência apenas na recria, por exemplo”, diz o agrônomo. Ele procura explorar todo o potencial produtivo do andropógon nas águas, porque esse capim suporta maior pressão de pastejo (mais kg de peso vivo por kg de matéria seca produzida), enquanto as braquiárias prestam-se muito bem ao uso na seca.</p>
<p>Sobre limpeza de pastos, Cavalcanti tem opinião formada: “Nunca comprei um litro de herbicida na minha vida, para não eliminar as leguminosas nativas. Faço apenas roçagem manual ou mecânica”. Como a incidência de vermes no rebanho é baixa, ele gasta pouco com vermífugos. Já os suplementos minerais são preparados na fazenda, devido ao menor custo e por se tratar de produto formulado pelo agrônomo para as condições específicas da propriedade. Além de sal branco, minerais e proteína verdadeira (farelo de soja), os suplementos ainda contêm monensina utilizada como coccidiostático.</p>
<p><strong>O conforto em primeiro lugar</strong></p>
<p><a href="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/dsc_00661.webp"><img loading="lazy" class="wp-image-416 alignleft" src="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/dsc_00661.webp" alt="" width="320" height="675" /></a>Para obter o melhor desempenho a pasto, os bovinos precisam de comida farta e muita tranqüilidade. O estresse pode gerar irritação, inapetência e, conseqüentemente, menor ganho ou até perda de peso. José da Rocha Cavalcanti leva o bem-estar animal muito a sério, pois seu sistema de produção depende de boas performances individuais. “Se c o l o c a rmo s quatro animais por hectare, ganhando 600 g/cab/dia, produziremos 2,4 kg/ha/dia. Se, no mesmo hectare, alojarmos apenas dois animais, dandolhes maior conforto e possibilidade de selecionar a forragem, poderão engordar<br />
1,2 kg/cab/dia, garantindo ao produtor os mesmos 2,4 kg diários que ele obteria com a lotação dobrada”, argumenta<br />
o pecuarista.</p>
<p>Cavalcanti garante conseguir nas águas (outubro a março), ganhos entre 1 e 1,4 kg/cab/dia em machos inteiros, com idade entre 22 e 27 meses, mantidos em pastos de andropógon com 22 ha cada e recebendo apenas<br />
sal mineral. Claro que não se pode desconsiderar a participação do efeito compensatório e da qualidade genética dos animais nesse ganho, mas, segundo Cavalcanti, a principal explicação para um desempenho tão superior à média, que é de 600-800 g/cab/dia, está no tamanho reduzido dos lotes, compostos por no máximo 30 animais.</p>
<p>Esse número não é cabalístico, mas fruto de observações. “Os bovinos têm forte instinto gregário, mas pouca memória. Eles só gostam de viver ao lado de quem conhecem. Em lotes compostos por mais de 30 cabeças, eles perdem a noção de quem é quem no lote. Quando isso ocorre, ficam estressados e engordam menos”, relata o pecuarista, cujas idéias têm conquistado adeptos (veja quadro da página 58).</p>
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<p><strong>CADEIA DE VIRTUOSIDADES</strong></p>
<div id="attachment_417" style="width: 509px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/dsc_0059.webp"><img aria-describedby="caption-attachment-417" loading="lazy" class="size-full wp-image-417" src="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/dsc_0059.webp" alt="" width="499" height="332" srcset="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/dsc_0059.webp 499w, https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/dsc_0059-300x200.webp 300w" sizes="(max-width: 499px) 100vw, 499px" /></a><p id="caption-attachment-417" class="wp-caption-text">Cavalcanti maneja os animais com visão de longo prazo para evitar estresse</p></div>
<p>Segundo Cavalcanti, quando os animais são agrupapos em pequenos núcleos, cria-se uma “cadeia de virtuosidades produtivas”: a taxa de fêmeas prenhes aumenta, nascem mais bezerros, que desmamam mais pesados e são abatidos mais cedo. Tudo isso porque eles vivem em situação de conforto. Cavalcanti utiliza uma fórmula clássica da nutrição na defesa de sua tese: a energia disponível para produção é igual à energia consumida pelo animal, menos a energia que ele usa para mantença corporal.</p>
<p><em>“Na literatura”, </em>diz Cavalcanti<em>, “encontramos apenas trabalhos relacionando demanda de energia para mantença com adaptabilidade ao ambiente, tamanho do bovino ou idade. Ninguém estudou ainda quanto essa demanda pode variar em função da qualidade da convivência do animal no lote. Se ela é confortável, harmoniosa, sobra mais energia para produção. Já constatei isso, várias vezes, a campo”.</em></p>
<p>A movimentação de lotes é feita com cautela e visão de longo prazo, para não provocar estresse. <em>“O ideal seria que os lotes permanecessem o ano inteiro no mesmo piquete, mas isso nem sempre é possível por causa da necessidade de adequação da carga animal aos pastos”</em>. Uma regra de ouro é não introduzir animais novos em grupos estruturados, compostos por indivíduos que já se conhecem e vivem juntos há algum tempo. É prejuízo na certa. Perde-se toda a seqüência de benefícios produtivos obtida até então, em função do bem-estar coletivo.</p>
<p>FORMAÇÃO DOS LOTES</p>
<p>José Cavalcanti valoriza muito o conceito de “família bovina”. As vacas permanecem com suas crias até os 10-12 meses. Ele não desmama os bezerros, por acreditar que o estresse da separação mãe-filho provoca na fêmea um dispêndio de energia maior do que o exigido pela amamentação. Deixa que o desmame ocorra naturalmente. A própria vaca afasta o bezerro quando sente que chegou o momento de pouparse para o novo filho que vai nascer. “Outro dia, vi dois bezerros mamando na mesma vaca, porque a mãe de um deles já estava em processo de desmama. Ele ali, satisfeito, e a mãe do amigo dando leite para os dois”, conta Cavalcanti.</p>
<div id="attachment_418" style="width: 547px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vaca-amamenta-21.webp"><img aria-describedby="caption-attachment-418" loading="lazy" class=" wp-image-418" src="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vaca-amamenta-21.webp" alt="" width="537" height="305" /></a><p id="caption-attachment-418" class="wp-caption-text">Matriz IRCA (à direita) amamenta dois bezerros: o seu próprio filho e o da vaca ao centro, já em processo de desmama natural. Família bovina unida engorda unida. O bezerro fica com a mãe até 10-12 meses. A desmama ocorre naturalmente.</p></div>
<p>A utilização desse método em nada prejudica a taxa de prenhez, que, nos últimos quatro anos, registrou média de 93% nas nulíparas (fêmeas que nunca pariram), 81,5% nas primíparas e 89,33% nas multíparas.</p>
<p>Quando elas estão perto de dar cria, os bezerros são transferidos para outro piquete, mas aí já estão desmamados e integrados ao grupo contemporâneo<br />
(fêmeas e machos nascidos na mesma época). A separação por sexo somente é realizada em dezembro/janeiro, quando as novilhas completam 13-14 meses. Cerca de 20-40 são descartadas e as restantes destinadas à reposição.<br />
A maioria entra em manejo de inseminação com 22-24 meses, e as que emprenham formam novo lote.</p>
<p><strong>CUIDADOS ESPECIAIS</strong></p>
<p>As primíparas são reunidas em grupos específicos, de no máximo 25 cabeças, e recebem cuidados especiais para garantir a reconcepção, que depende muito da boa condição nutricional no terço final da gestação. Por isso, elas são alojadas nos melhores pastos, formados com tanzânia e mombaça. Trata-se de um lote delicado, exigente, que deve ser manejado com carinho e tranquilidade. Elas permanecem juntas até o diagnóstico de gestação, quando se faz um reagrupamento em função do índice de prenhez.</p>
<p>Como a fazenda está com o rebanho estabilizado, cerca de 200 fêmeas são vendidas anualmente: 40 na idade de sobreano, por questões técnicas; 120 já adultas, devido à pressão de seleção ou por estarem vazias, e 40 por terem alto potencial genético (fêmeas registradas). Já os machos passam por avaliação genética aos 15-17 meses. Aqueles que são classificados como tourinhos formam grupos à parte, e os demais permanecem juntos até que sejam vendidos para recria ou para o frigorífico.</p>
<p><strong>Prova dos nove</strong></p>
<div id="attachment_419" style="width: 138px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/JOSE-HENRIQUE.webp"><img aria-describedby="caption-attachment-419" loading="lazy" class="size-full wp-image-419" src="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2022/02/JOSE-HENRIQUE.webp" alt="" width="128" height="96" /></a><p id="caption-attachment-419" class="wp-caption-text">José Henrique</p></div>
<blockquote><p>José Henrique Pereira Martins de Andrade, proprietário da Fazenda Nova América, também no município de São Miguel do Araguaia, sempre ouvia Cavalcanti falar sobre as vantagens dos lotes pequenos, mas se mantinha cético.</p>
<p>Um dia, decidiu tirar a prova dos nove e descobriu que o vizinho tinha razão. Andrade tinha 59 bois erados (quase três anos), com peso de 450 kg, mas ainda magros (sem gordura de cobertura). Era final das águas (abril/maio), não havia mais como engordar os animais somente a pasto e ele decidiu semi-confiná-los. Ao mesmo tempo, colocou outro lote de 25 novilhos, 10 meses mais novos e 100 kg mais leves, num piquete à parte, suplementados apenas com sal mineral.</p>
<p>Depois de 67 dias, o lote semi-confinado havia engordado 102 kg/cab, ao custo de R$ 239/cab. Já o segundo registrara o mesmo ganho de peso (102 kg), ao custo de R$ 8/cab. Técnicamente, esses dois grupos não poderiam ser comparados, porque tinham peso e idade diferentes, mas a experiência, segundo Andrade, foi reveladora.</p>
<p>“Hoje, acredito que a divisão dos animais em lotes pequenos melhora o ganho de peso”, diz o produtor, cuja fazenda tem 1.704 hectares e abriga 2.000 cabeças. Andrade também faz ciclo completo e se diz integrante da classe de pecuaristas que “carrega a carga nas costas, ou seja, não é dono de banco, não tem outras fontes de renda, nem vive na ilha da fantasia”.</p>
<p>Como seus pastos ainda são relativamente grandes, ele não consegue trabalhar apenas com lotes pequenos, mas se pudesse não hesitaria: os animais tornam-se mais produtivos, são mais fáceis de manejar e ficam menos estressados.</p></blockquote>
<p><strong>Menos estresse, mais produção.</strong></p>
<blockquote><p>A organização social dos bovinos a pasto em nada se parece com a hierarquia existente num batalhão militar, no qual o sargento dá ordens e os soldados obedecem. Assemelha-se mais com a de uma equipe, um time. Por isso, se o pecuarista separa animais que se dão bem juntos, desestrutura o grupo.</p>
<p><em>“É como se, numa equipe de futebol entrosada, o zagueiro se machucasse. Nesse caso, quem vai desempenhar sua função? Ele pode não ser o líder do grupo, mas desempenha um papel fundamental. A convivência diária, a distribuição de tarefas, os papéis vão ter de mudar.</em></p>
<p><em>Já observei que esses papéis, depois de estabelecidos, geralmente são mantidos. Evito mexer até nos vizinhos de pasto, para não gerar estresse, que reduz o ganho de peso”</em>, explica Cavalcanti.</p></blockquote>
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		<title>Tempos de incertezas geram novas oportunidades</title>
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		<dc:creator><![CDATA[jabrao]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Dec 2021 19:07:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[Quando tudo parecia um “céu de brigadeiro” as incertezas afloraram de todos os cantos: risco soberano, alavancagem bancaria européia, volatilidade de valores das ações e moedas, crise política. Com custos de produção cada vez maiores, os preços pagos pela arroba do boi gordo ainda que elevados, não garantem os lucros. Gestores mais do que nunca [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando tudo parecia um “céu de brigadeiro” as incertezas afloraram de todos os cantos: risco soberano, alavancagem bancaria européia, volatilidade de valores das ações e moedas, crise política.</p>
<p>Com custos de produção cada vez maiores, os preços pagos pela arroba do boi gordo ainda que elevados, não garantem os lucros.</p>
<p>Gestores mais do que nunca precisam de insights para aconselhar os produtores a permanecerem no negócio e animar outros mais jovens a entrarem no negócio.</p>
<p>O maior desafio para a pecuária e agricultura será identificar oportunidades para que as próximas gerações assumam a tarefa de alimentar o mundo.</p>
<p>A produção agrícola é uma grande vocação, mas temos que ser diligentes em nossos processos e olhar para o futuro vendo a aprovação de um código florestal coerente com nossa realidade de país celeiro do mundo, leis tributárias adequadas ao desenvolvimento.</p>
<blockquote>
<h3>O conhecimento dos custos de produção leva a expectativa das margens de lucro.</h3>
</blockquote>
<p>Elaborar um plano, conhecer os riscos e tirar proveito de oportunidades geradas a partir da criatividade no realinhamento de formas tradicionais no modo como operamos o negócio na produção de carne.</p>
<p>A banalização da palavra vem gerando dúvidas em muitos profissionais sobre a real “estratégia” da empresa.</p>
<p>Estratégia é a definição de como recursos serão alocados para se atingir determinado objetivo. Usada originalmente na área militar, esta palavra hoje é bastante usada na área de negócios.</p>
<p>A estratégia começa com uma visão de futuro e implica na definição clara de seu campo de atuação, na habilidade de previsão de possíveis reações às ações empreendidas e no direcionamento que a levará ao crescimento.</p>
<p>Procure responder: qual a estratégia de produção que sua empresa visualiza. Numa era turbulenta, o único trunfo confiável é a capacidade de antecipar as circunstâncias e reinventar o modelo de negócios</p>
<p>Precisamos adquirir resiliência estratégica, e esta não é fácil. Resiliência estratégica não é reagir a uma crise isolada. Não é se recuperar de um revés. É antes, a capacidade de se antecipar – e se ajustar – continuamente a profundas tendências seculares capazes de abalar de forma permanente a força geradora de lucros de um negócio.</p>
<p>Resiliência é a capacidade de mudar antes que a necessidade de mudança se torne imperativa.</p>
<p>Para prosperar em tempos turbulentos, a empresa deve ser, na renovação, tão eficaz quanto o é na produção de bens e na oferta de serviços.</p>
<p>Precisamos de ânimo na pecuária de produção, o que pode significar adotar formas não tradicionais, sendo criativo e construindo novas maneiras de operar assimiladas com as lições que você aprendeu ao longo dos anos.</p>
<p>Qual é o melhor conselho que você daria a um jovem iniciante na pecuária?</p>
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		<title>o que é um bom touro?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[jabrao]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Dec 2021 18:46:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[Não é difícil constatar que os touros TOPs em peso são conclamados melhoradores em relação aos touros médios. No entanto, eles estão gerando o retorno esperado? A expectativa de lucratividade se realiza? Observamos dois fenômenos: 1. Os touros TOP’s peso – com DEp’s altas – são vendidos por preços maiores. É uma consequência da lei [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Não é difícil constatar que os touros TOPs em peso são conclamados melhoradores em relação aos touros médios. No entanto, eles estão gerando o retorno esperado? A expectativa de lucratividade se realiza?</p>
<p><strong>Observamos dois fenômenos:</strong></p>
<p style="padding-left: 40px;">1. Os touros TOP’s peso – com DEp’s altas – são vendidos por preços maiores. É uma consequência da lei do mercado: há demanda por qualidade genética.</p>
<p style="padding-left: 40px;">2. Essa demanda parece justificável, isto é, ela se apresenta à primeira vista como economicamente razoável. Se um touro gera +20 kg de peso ao sobreano e procria 100 bezerros durante a sua vida, considerando o quilo a R$ 3,00, esse touro valeria R$ 6.000,00 mais do que o touro médio.</p>
<p><strong>Diante desses dois pontos, podemos concluir: a lucratividade no setor deve estar aumentando, já que está havendo um investimento em produtividade. Estamos trabalhando com maior eficiência. Correto?</strong></p>
<p>Infelizmente, não. O cálculo na pecuária não é apenas uma conta de multiplicação de fator único. Ou melhor, em nenhum setor da economia a análise quantitativa resolve a questão da lucratividade.</p>
<p>O cálculo não deve ser apenas quantitativo, mas qualitativo. Aumento de peso não é sinônimo de genética de qualidade. Ela não é resultado de um único fator, mas de um conjunto de aspectos. E o ponto ótimo – a lucratividade – está no equilíbrio ótimo, não no ponto máximo.</p>
<p>Por exemplo, não podemos desprezar os antagonismos genéticos. Crescimento de peso (positivo em tese) gera aumento de peso ao nascer (nem sempre positivo). O peso ao sobreano impacta no tamanho adulto (aumento de custo de mantença do rebanho). A relação entre área de olho de lombo, gordura subcutânea e o rendimento de carcaça: onde está o equilíbrio?</p>
<p>Os sumários – análises meramente quantitativas – não respondem a essas questões. Significa então que eles não servem para nada? Não, podem ser muito úteis, desde que analisados dentro do contexto global, e não como um tapa-olho para as outras características.</p>
<p>Os sumários oferecem elementos muito úteis, mas é preciso ter presente que eles não dão a resposta final. Não basta lê-los, é necessário um trabalho de ponderação. Afinal, lucratividade não é volume, e sim eficiência.</p>
<p>Por isso, a análise do valor genético de um touro não é simples. É preciso observação e medição dos diversos fatores envolvidos, que não estão apenas no touro em si, mas no ambiente em que ele trabalhará, no sistema de produção específico implantado na fazenda e nos seus objetivos pretendidos, etc.</p>
<p>A qualificação do bom touro não se assemelha tanto a uma fotografia (análise instantânea), e sim a um filme (um processo no tempo), com idas e vindas, num aprendizado contínuo, no qual se testa e se retifica, inova-se e ao mesmo tempo controlam-se alguns parâmetros, para depois medir os resultados, etc.</p>
<p><strong>Complicado?</strong> Nem tanto. Difícil mesmo é perceber que, a cada ano que passa, aumentam-se os pesos dos animais, compra-se mais “qualidade” (DEP’s altas), mas depois não se vê o retorno esperado. A grande expectativa no ato da compra daquele touro melhorador, daquele sêmen, não se realiza no fechamento do ano. E queiramos ou não, a realidade está mais próxima do balanço financeiro do final de ano do que no folder do marketing.</p>
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		<title>O acerto do descarte ao lucro da cria</title>
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		<dc:creator><![CDATA[jabrao]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Dec 2021 18:41:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[Não é raro ouvir que a cria é uma atividade de baixa rentabilidade. No entanto, entre as atividades de produção de gado de corte, penso que a cria tem a capacidade de proporcionar a melhor e mais segura rentabilidade, quando se considera o longo prazo. Logicamente, para que isso ocorra, faz-se necessária uma boa gestão [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Não é raro ouvir que a cria é uma atividade de baixa rentabilidade. No entanto, entre as atividades de produção de gado de corte, penso que a cria tem a capacidade de proporcionar a melhor e mais segura rentabilidade, quando se considera o longo prazo.</p>
<p>Logicamente, para que isso ocorra, faz-se necessária uma boa gestão – o que está longe de significar uma gestão complicada.</p>
<p>Para uma boa rentabilidade no rebanho comercial (não me refiro aos produtores de genética), o caminho que sugiro é o abate anual de 25% das fêmeas que entraram na estação de monta. Com esse abate, além da venda de 30% das bezerras de desmama e 20% dos touros com mais de cinco anos de uso, pode-se custear a manutenção de um rebanho de cria comercial e manter o estoque estável. Com isso, seu rebanho se torna um provedor de seu fluxo de caixa, além de agregar produtividade.</p>
<p>Com o custeio zerado pelas vendas acima, a produção de bezerros machos torna-se o resultado anual da atividade da cria.</p>
<p>O essencial é ter uma política de identificação das vacas de descarte. O acerto (ou desacerto) dessa estratégia será decisivo para a eficiência da sua criação. Abaixo, listo cinco critérios para um descarte eficiente. São bem simples, e não exigem planilhas complicadas. Apenas uma decisão firme de melhorar a eficiência do rebanho.</p>
<p>1-Vacas vazias. Descarte certo, podendo dar uma segunda chance para as destaque de produção.</p>
<p>2-Vacas de pouco leite, identificadas no desmame mesmo que esteja prenhe.</p>
<p>3-Vacas que exigem atenção individual. Aumentam o custo de manutenção, diminuindo a produtividade.</p>
<p>4-Vacas brabas podem ser marcadas a fogo com um ferro “V” (para Venda) quando forem por qualquer motivo de manejo, identificadas.</p>
<p>5-Vacas com bezerros fundos. Uma sugestão de identificação: na hora do desmame, separe os bezerros fundos dos outros e os mantenha separados das vacas por uma noite. Ao colocá-los de volta com as vacas na manhã seguinte, você identificará facilmente quem são as suas mães – que devem ser descartadas.</p>
<p>O ideal é ter um pasto próprio para as vacas de descarte. Caso não seja possível, identifique-as claramente; por exemplo, marcando um v (de venda). Lembre-se: não é um detalhe. Se fizer bem o descarte, boa parte da eficiência da sua criação estará garantida.</p>
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		<title>O que está por trás da tipificação de carcaças?</title>
		<link>https://neloreirca.com.br/artigos/o-que-esta-por-tras-da-tipificacao-de-carcacas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[jabrao]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Dec 2021 19:19:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[Atualmente ouve-se muito sobre tipificação de carcaças para atender aos novos mercados para a carne brasileira. Há alguns pontos que precisam ser discutidos para que o procedimento possibilite rentabilidade ao produtor e segurança alimentar ao consumidor. Em todos os países, o movimento pela classificação de carcaças não resistiu à tentação de subordinar as classes a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Atualmente ouve-se muito sobre tipificação de carcaças para atender aos novos mercados para a carne brasileira. Há alguns pontos que precisam ser discutidos para que o procedimento possibilite rentabilidade ao produtor e segurança alimentar ao consumidor.</p>
<p>Em todos os países, o movimento pela classificação de carcaças não resistiu à tentação de subordinar as classes a uma hierarquia, ou seja, a tipificação pretende dizer ao mercado o que tem melhor e o que tem pior qualidade. E o faz sem a preocupação de provar tecnicamente o que está proclamando.</p>
<div id="attachment_244" style="width: 425px" class="wp-caption alignnone"><img aria-describedby="caption-attachment-244" loading="lazy" class="wp-image-244 size-full" src="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2021/12/carcaca-irca-22meses.jpg" alt="" width="415" height="277" srcset="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2021/12/carcaca-irca-22meses.jpg 415w, https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2021/12/carcaca-irca-22meses-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 415px) 100vw, 415px" /><p id="caption-attachment-244" class="wp-caption-text">Carcaças de novilhos IRCA com 22 meses de idade.</p></div>
<p>Para se falar de carcaça bovina, é bom lembrar, de início, que existem várias maneiras de se produzir carne. Diferentes e variados sistemas são adotados em diferentes países: Irlanda, Inglaterra, França, Austrália, Canadá, EUA, Uruguai, Argentina, Brasil.</p>
<p>É também importante dizer que esses sistemas se diferenciam entre eles quanto ao tempo que os animais permanecem nos pastos e em confinamentos, à variedade das dietas utilizadas, ao percentual de volumoso e concentrados, ao uso ou não de anabolizantes, aditivos etc. As raças que geram as carcaças também diferem quanto à qualidade de sua carne, no tocante a atributos intrínsecos, como maciez, sabor, quantidade e tipo de gordura (se entremeada ou não, escassa ou mais abundante).</p>
<p>A forma como cada sistema atua na produção dos bois tem consequências direta sobre esses atributos e sobre a lucratividade dos elos que compõem a cadeia: produtores, frigoríficos, distribuidores.</p>
<p>Na definição dos critérios para a tipificação, certamente os elos mais organizados tentarão, graças a seu maior poder, impor suas regras quanto ao que é melhor, com o objetivo de salvaguardar suas margens. E pretenderão determinar como ideais o alto peso das carcaças (para melhorar seus rendimentos industriais, pois se autointitulam uma indústria de desmontagem). Também afirmarão que as churrascarias querem peças maiores, o que pode até ser verdade quando esses estabelecimentos também estão preocupados exclusivamente com seus lucros e não com um bom serviço aos cliente. Churrascaria digna desse nome, com padrão de qualidade no atendimento, quer é cortes de animais jovens, padronizados, macios e suculentos.</p>
<p>Vez por outra se ouve dizer que a carne brasileira é considerada por alguns importadores como não merecedora da qualificação de boa qualidade. Mas ninguém define com clareza e precisão que qualidade está sendo procurada. O conceito de qualidade, por sinal, é muito questionável. Há palestrante conceituado que aponta o zebuíno como produtor de uma carne com pouca maciez e ausência de marmorização. No entanto, já se viu que o único corte de um bom Nelore que requer maior força de cisalhamento é o contrafilé. Nos demais, como a alcatra, o filé, a picanha, a maminha, a fraldinha, não há diferença estatística na diferenciação da força de cisalhamento, ou seja, a maciez desses cortes é semelhante à dos taurinos, com a vantagem de oferecer muito mais sabor.</p>
<div id="attachment_245" style="width: 471px" class="wp-caption alignnone"><img aria-describedby="caption-attachment-245" loading="lazy" class="size-full wp-image-245" src="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2021/12/mae-carcaca-bom-rendimento.jpg" alt="" width="461" height="346" srcset="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2021/12/mae-carcaca-bom-rendimento.jpg 461w, https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2021/12/mae-carcaca-bom-rendimento-300x225.jpg 300w" sizes="(max-width: 461px) 100vw, 461px" /><p id="caption-attachment-245" class="wp-caption-text">Boa mãe com carcaça de bom rendimento de carne.</p></div>
<p>Será que essa diferença no contra filé é suficiente para denegrir o padrão de qualidade da carne brasileira? Na França, pátria da culinária de alto padrão, um dos cortes de carne que agrega maior valor no Limousin é proveniente do abate de vacas com 4 a 5 anos de idade, portanto de menor maciez. Justificativa dos gourmets: abrem mão da maciez para ganhar em sabor.</p>
<p>Impor padrões estrangeiros à carne brasileira me parece pouco razoável. Primeiro porque sempre restará a dúvida: todos os importadores estão preocupados ou estão dispostos a pagar mais pela marmorização? E os criadores sabem que, para colocar marbling, ou gordura intramuscular na carcaça do zebu, terão de mudar a forma de produzir carne no Brasil. Mudando a forma de produzir, a carne do Brasil perderá o selo de natural, saudável e custará mais cara.</p>
<p>Não custa imaginar que isso pode ser altamente interessante para nossos concorrentes. Seremos menos competitivos e certamente perderemos mercado. E aí sim, estaremos dando munição aos detratores da carne vermelha. O próprio Departamento de Saúde Americano já pôs sob suspeição essa carne marmorizada. Critica a forma de obtê-la, em confinamentos que requerem dietas ricas em grãos, para oferecer animais cada vez mais pesados ao abate. Com certeza, dessa carne, o consumo deverá mesmo ser limitado a 500 gramas/adulto/semana.</p>
<div id="attachment_246" style="width: 471px" class="wp-caption alignnone"><img aria-describedby="caption-attachment-246" loading="lazy" class="size-full wp-image-246" src="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2021/12/pastagem-harmonia.jpg" alt="" width="461" height="346" srcset="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2021/12/pastagem-harmonia.jpg 461w, https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2021/12/pastagem-harmonia-300x225.jpg 300w" sizes="(max-width: 461px) 100vw, 461px" /><p id="caption-attachment-246" class="wp-caption-text">Pastagem em harmonia com o cerrado.</p></div>
<p>Na avicultura já há sinais de que o mercado exigirá protocolos de produção mais saudáveis. O Mc Donalds e a Unilever (multinacional que utiliza 650 milhões de ovos/ano na Europa, que para ter atendida essa demanda, serão necessárias 2,5 milhões de galinhas), a partir de 2010, só irão comprar ovos de poedeiras criadas soltas (free range).</p>
<p>Por tudo isso, é bom analisar bem o que se quer em termos de carcaça bovina no Brasil. Existe um grande e inexplorado mercado para carne saudável, produzida exclusivamente a pasto, cuja produção o Brasil tem todas as condições de liderar no mundo, e sem competição.</p>
<p>É possível agregar valor a essa carne para mercados, onde os consumidores discordam filosoficamente do sistema de produção com longa duração em confinamentos e dietas recheadas de aditivos. Existem inúmeros mercados para carne de alto valor agregado para os quais, com nossos recursos genéticos e conhecimento de manejo, podemos produzir carne com adequado acabamento a pasto ou em confinamentos com 60-90 dias de duração.</p>
<p>Enfim, devemos ter em mente que há uma grande variabilidade nos mercados importadores, e o Brasil tem condições de ser seu supridor preferencial, com carne que apresente maior ou menor grau de acabamento, mas sempre produzida com certificação de boas práticas.</p>
<p>Por isso, o sistema de tipificação de carcaça a ser imposto no País precisa primar pela simplicidade de critérios utilizados. Seu objetivo deverá oferecer parâmetros que orientem a produção e comercialização da carne bovina, com respeito aos diferentes sistemas de produção e atributos, sem pretender determinar o que é de melhor qualidade, separando o que é diferente e agrupando o que é semelhante.</p>
<p>No caso específico da carne bovina, não se pode esquecer que a demanda acontece tanto pelos atributos intrínsecos de qualidade como, maciez, sabor e quantidade de gordura quanto pelas características de ordem ou natureza voltadas para as formas de produção, processamento (a velocidade de resfriamento influencia muito mais a maciez do que outros fatores inerentes à raça, idade, serem castrados ou não), comercialização (dimensionamentos das porções, pré-prontas) etc.</p>
<p>A meu ver, a tipificação deve classificar as carcaças das principais categorias, ordenando-as segundo outros indicadores tradicionalmente utilizados nas avaliações de gado de corte, como a conformação, musculosidade e precocidade no acabamento de gordura. Em tese, as melhores carcaças dariam carne de melhor qualidade, associada a maior rendimento de desossa, condição que favorece o abate de animais jovens com qualidade e a pasto.</p>
<p>O sucesso da carne brasileira depende de um excelente trabalho de marketing (diferentemente do que muitos pensam, não significa propaganda e sim mercadologia, estudo de mercado), desenvolvimento de novos sistemas de produção e de distribuição, com atenção total às exigências de um mercado atento às práticas sustentáveis não só do ponto de vista econômico, mas também social e ambiental.</p>
<div id="attachment_247" style="width: 471px" class="wp-caption alignnone"><img aria-describedby="caption-attachment-247" loading="lazy" class="size-full wp-image-247" src="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2021/12/novilhos-nelores-irca-17meses.jpg" alt="" width="461" height="346" srcset="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2021/12/novilhos-nelores-irca-17meses.jpg 461w, https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2021/12/novilhos-nelores-irca-17meses-300x225.jpg 300w" sizes="(max-width: 461px) 100vw, 461px" /><p id="caption-attachment-247" class="wp-caption-text">Novilhos nelore IRCA com 17 meses de idade e boa carcaça.</p></div>
<p>A crescente concorrência entre países e entre fontes alternativas de proteína tem estimulado as indústrias a dar atenção crescente às exigências do mercado. E, cada vez mais, o consumidor moderno deixa de comprar produtos para comprar “conceitos”.</p>
<p>Na produção, como de resto em toda a cadeia, o que inclui a tipificação das carcaças, o fundamental é que a implementação de sistemas operacionais, processamento e comercialização atenda aos “conceitos” de segurança alimentar, respeito às condições sociais dos que trabalham e preservação do meio ambiente. País ou indústria que não se adequar a essa realidade, em breve estará fora do mercado.</p>
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		<title>Gestão da pecuária com foco no manejo das pastagens.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[jabrao]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Dec 2021 14:29:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[Observa-se um aumento generalizado de custos na pecuária – fertilizantes, combustíveis, insumos de nutrição, sais minerais –, impondo-se uma pergunta: como cortar as despesas sem sacrificar a produção? Alguns optam por diminuir a quantidade de insumos utilizados, outros ajustam o número de animais, vendendo fêmeas ou animais jovens, etc. Não é tarefa fácil definir prioridades [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Observa-se um aumento generalizado de custos na pecuária – fertilizantes, combustíveis, insumos de nutrição, sais minerais –, impondo-se uma pergunta: como cortar as despesas sem sacrificar a produção?</strong></p>
<p><img loading="lazy" class="alignnone size-full wp-image-226" src="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Gestao_1a.jpg" alt="" width="431" height="238" srcset="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Gestao_1a.jpg 431w, https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Gestao_1a-300x166.jpg 300w" sizes="(max-width: 431px) 100vw, 431px" /></p>
<p>Alguns optam por diminuir a quantidade de insumos utilizados, outros ajustam o número de animais, vendendo fêmeas ou animais jovens, etc.</p>
<p>Não é tarefa fácil definir prioridades ao gerenciar os custos, já que a produção está sempre relacionada com o grau de investimento. Do corte de despesas para uma queda na produção não são precisos muitos passos.</p>
<p>Sugiro, no entanto, outro olhar gerencial. Não apenas analisar “o que cortar”, mas “como fazemos”. Não apenas ver os “itens”, mas o “modo” como trabalhamos.</p>
<p>Nessa perspectiva, um importante aliado na lucratividade do negócio pode ser a escolha adequada do método de pastejo, p. ex. a implantação da “Permanência fixa dos animais na pastagem”.</p>
<p>Os diferentes métodos de manejo de pastagens podem ser agrupados em três principais alternativas com suas variantes: Rotacionado – convencional, em faixa ou com 2 grupos de animais; Diferido – quando a pastagem é deixada em descanso, sem animais, por algum período de tempo para que haja acúmulo de forragem para o uso posterior; e o Contínuo – que prefiro denominá-lo “Permanência fixa dos animais na pastagem”. .</p>
<p>É preciso não confundir “pastejo contínuo” com “extensivismo”. A maioria dos pecuaristas pensa que fazer pastejo contínuo é colocar um grupo de animais numa área e largá-los lá, sem monitoramento, sem meta nenhuma. Isso, na verdade, é ausência de método, é puro extrativismo dos recursos naturais disponíveis, como bem disse o Prof. Sila Carneiro Filho (ESALQ) em entrevista à jornalista Maristela Franco (2008).</p>
<p>Esse método de “colheita” de forragem exige uma avaliação realista da capacidade de cada pasto na produção anual de matéria seca (MS), já que não existe “colheita contínua” de forragem por parte dos animais, o que existe é “presença contínua” deles na área. Um perfilho (unidade básica de crescimento da planta) somente é visitado a cada 30 dias nesse método de pastejo, devido ao correto ajuste da pressão de pastejo – número de animais (kg de Peso Vivo) por unidade (kg) de forragem disponível, Mott (1960), – proporcionado pelo ajuste da taxa anual de lotação por hectare (UA/ha).</p>
<p>Alguns benefícios desse método:</p>
<p>1. Maior desempenho zootécnico dos animais proporcionado pela maior oportunidade de pastejo seletivo e conseqüente ingestão de uma dieta de melhor qualidade. Segundo Walker (1995), a seleção da dieta é a chave do processo que influencia o “status” nutricional do animal. Isto reforça a importância da seletividade para o desempenho animal.<br />
2. Maior saldo de energia disponível para produção, devido a menor demanda da energia consumida diariamente, para mantença corporal, proporcionada por um menor tempo de pastejo (TP), maior facilidade de preensão da forrageira e o conforto animal.<br />
3. Menor demanda por fertilizantes e insumos, devido à utilização sustentável das pastagens.<br />
4. Maior lucratividade proporcionada pela otimização da utilização de insumos por arrobas produzidas.</p>
<p>O aumento de produção é devido ao:</p>
<p>Aumento de até 15% de vacas prenhes na Estação de Monta.<br />
Aumento de10 a15% no peso de desmama.<br />
Maior eficiência na relação peso da vaca x peso do bezerro a desmama.<br />
Aumento do percentual de animais na cabeceira de desmama.<br />
Aumento de até 30% no ganho médio diário de peso dos animais em recria no período de outubro a abril no Brasil Central.<br />
Melhor Escore Corporal das vacas em produção.<br />
Possibilidades de descarte de vacas sem necessidade do período de engorda por estarem com uma deposição de gordura suficiente para o abate.<br />
Menor gasto direto por unidade animal (UA)<br />
Maior margem líquida nas arrobas vendidas por incorporar menor custo total.</p>
<p><strong>É bem certo que teremos muitas incertezas pela frente para os próximos anos, mas como sempre a receita requer: conhecimento e foco na objetividade.</strong></p>
<p><img loading="lazy" class="alignnone wp-image-227" src="https://neloreirca.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Gestao.jpg" alt="" width="719" height="534" /></p>
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		<title>O acerto do descarte ao lucro da cria</title>
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		<dc:creator><![CDATA[jabrao]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Dec 2021 14:20:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[Não é raro ouvir que a cria é uma atividade de baixa rentabilidade. No entanto, entre as atividades de produção de gado de corte, penso que a cria tem a capacidade de proporcionar a melhor e mais segura rentabilidade, quando se considera o longo prazo. Logicamente, para que isso ocorra, faz-se necessária uma boa gestão [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Não é raro ouvir que a cria é uma atividade de baixa rentabilidade. No entanto, entre as atividades de produção de gado de corte, penso que a cria tem a capacidade de proporcionar a melhor e mais segura rentabilidade, quando se considera o longo prazo.</strong></p>
<p>Logicamente, para que isso ocorra, faz-se necessária uma boa gestão – o que está longe de significar uma gestão complicada.</p>
<p>Para uma boa rentabilidade no rebanho comercial (não me refiro aos produtores de genética), o caminho que sugiro é o abate anual de 25% das fêmeas que entraram na estação de monta. Com esse abate, além da venda de 30% das bezerras de desmama e 20% dos touros com mais de cinco anos de uso, pode-se custear a manutenção de um rebanho de cria comercial e manter o estoque estável. Com isso, seu rebanho se torna um provedor de seu fluxo de caixa, além de agregar produtividade.</p>
<p>Com o custeio zerado pelas vendas acima, a produção de bezerros machos torna-se o resultado anual da atividade da cria.</p>
<p>O essencial é ter uma política de identificação das vacas de descarte. O acerto (ou desacerto) dessa estratégia será decisivo para a eficiência da sua criação. Abaixo, listo cinco critérios para um descarte eficiente. São bem simples, e não exigem planilhas complicadas. Apenas uma decisão firme de melhorar a eficiência do rebanho.</p>
<p style="padding-left: 40px;">1-Vacas vazias. Descarte certo, podendo dar uma segunda chance para as destaque de produção.</p>
<p style="padding-left: 40px;">2-Vacas de pouco leite, identificadas no desmame mesmo que esteja prenhe.</p>
<p style="padding-left: 40px;">3-Vacas que exigem atenção individual. Aumentam o custo de manutenção, diminuindo a produtividade.</p>
<p style="padding-left: 40px;">4-Vacas brabas podem ser marcadas a fogo com um ferro “V” (para Venda) quando forem por qualquer motivo de manejo, identificadas.</p>
<p style="padding-left: 40px;">5-Vacas com bezerros fundos. Uma sugestão de identificação: na hora do desmame, separe os bezerros fundos dos outros e os mantenha separados das vacas por uma noite. Ao colocá-los de volta com as vacas na manhã seguinte, você identificará facilmente quem são as suas mães – que devem ser descartadas.</p>
<p>O ideal é ter um pasto próprio para as vacas de descarte. Caso não seja possível, identifique-as claramente; por exemplo, marcando um v (de venda). Lembre-se: não é um detalhe. Se fizer bem o descarte, boa parte da eficiência da sua criação estará garantida.</p>
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		<title>Seleção para produção de carne de qualidade em pastagens nos trópicos.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[jabrao]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Dec 2021 18:41:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[boi gordo]]></category>
		<category><![CDATA[irca]]></category>
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					<description><![CDATA[Animais assim desafiados apresentam uma característica marcante na vida produtiva, com períodos de acúmulo de gordura, intercalados por períodos onde é utilizada essa reserva de energia armazenada na forma de gordura proporcionando um suporte para a complementação nutricional. Esses diferentes períodos dos bovinos em pastejo estão intimamente relacionados à estacionalidade e crescimento das plantas forrageiras. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Animais assim desafiados apresentam uma característica marcante na vida produtiva, com períodos de acúmulo de gordura, intercalados por períodos onde é utilizada essa reserva de energia armazenada na forma de gordura proporcionando um suporte para a complementação nutricional.</strong></p>
<p>Esses diferentes períodos dos bovinos em pastejo estão intimamente relacionados à estacionalidade e crescimento das plantas forrageiras.</p>
<p>A necessidade premente de intensificação da pecuária de corte nacional tem gerado discussões acaloradas quanto ao sistema ideal de produção para as nossas condições. A discussão tem sido polarizada no sentido comparativo, entre a exploração de animais em sistemas intensivos a pasto ou em confinamento.</p>
<p>Essa abordagem tem sido desvirtuada, devido à falta de dados comparativos para um menor custo por arrobas produzida gerados dentro das condições brasileiras.</p>
<p>Infelizmente, tem sido difundido o conceito equivocado, de que sistemas tropicais de produção a pasto são necessariamente extensivos, enquanto sistemas com altas suplementações e/ou confinados são sinônimos de intensificação e a única maneira de se explorar rebanhos especializados e de alto mérito genético.</p>
<p>A adoção de uma estratégia será cada vez mais lucrativa à medida que pesquisadores e consultores com um conhecimento dos fatores que geram lucro na atividade, estabeleçam para os produtores modelos de sistemas de produção que atendam à explorar animais com genética selecionada para esse desafio, com um bom manejo sanitário, reprodutivo, oferecendo condições adequadas de conforto para os animais.</p>
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		<title>Produção de carne de qualidade no pasto!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[jabrao]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Dec 2021 18:33:39 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[carne]]></category>
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					<description><![CDATA[Será cada vez mais relevante para os consumidores a forma como será produzida a carne que eles degustarão: quantidade de antibióticos e aditivos utilizados no sistema de produção intensivo terá sempre uma relevância maior quanto aos efeitos causados nos seres humanos. Esses grupos contra a carne vermelha, contra a pecuária e ambientalistas se unirão no [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Será cada vez mais relevante para os consumidores a forma como será produzida a carne que eles degustarão: quantidade de antibióticos e aditivos utilizados no sistema de produção intensivo terá sempre uma relevância maior quanto aos efeitos causados nos seres humanos.</p>
<p>Esses grupos contra a carne vermelha, contra a pecuária e ambientalistas se unirão no esforço de obter das cadeias de restaurantes um compromisso publico para não usarem carne produzida com antibióticos em seus menus.</p>
<blockquote><p>Isso implicará numa mudança radical da visão de que raças e sistemas de produção estarão comprometidos com a satisfação do consumidor.</p></blockquote>
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